WHO: dez ameaças à saúde global em 2019

February 7, 2019

Os desafios de saúde são muitos no mundo: surtos de doenças evitáveis por vacinação, crescimento de patógenos resistentes a medicamentos, taxas crescentes de obesidade e inatividade física, poluição ambiental, mudança climática e múltiplas crises humanitárias. Em 2019, a Organização Mundial de Saúde põe em prática um novo plano estratégico de 5 anos — o 13th General Programme of Work — para enfrentar essas ameaças.


Este plano se concentra em uma meta de três bilhões: garantir que um bilhão a mais de pessoas se beneficie do acesso à cobertura universal de saúde, mais um bilhão de pessoas estejam protegidas das emergências de saúde e mais um bilhão de pessoas desfrutem de melhor saúde e bem-estar. Alcançar esse objetivo exigirá abordagens efetivas contra as dez principais questões, dentre muitas outras, que demandarão atenção da OMS e dos parceiros de saúde em 2019.


Poluição do ar e mudança climática
Nove em cada dez pessoas respiram ar poluído todos os dias. Em 2019, a poluição do ar é considerada pela OMS como o maior risco ambiental para a saúde. Poluentes microscópicos no ar podem penetrar nos sistemas respiratório e circulatório, danificando os pulmões, coração e cérebro, matando 7 milhões de pessoas todos os anos, prematuramente, de doenças como câncer, derrames, doenças cardíacas e pulmonares. Cerca de 90% dessas mortes ocorrem em países de baixa e média rendas, com altos volumes de emissões da indústria, dos transportes e da agricultura, além de fogões e combustíveis sujos nas residências.


A principal causa da poluição do ar (queima de combustíveis fósseis) também é um dos principais contribuintes para a mudança climática, que afeta a saúde das pessoas de diferentes maneiras. Entre 2030 e 2050, espera-se que a mudança climática cause 250.000 mortes adicionais por ano, de desnutrição, malária, diarreia e estresse por calor.
Em outubro de 2018, a OMS realizou sua primeira Conferência Global sobre Poluição do Ar e Saúde, em Genebra. Países e organizações fizeram mais de 70 compromissos para melhorar a qualidade do ar. Este ano, a Cúpula do Clima das Nações Unidas, em setembro, terá como objetivo fortalecer a ação e a ambição climática em todo o mundo. Mesmo que todos os compromissos assumidos pelos países para o Acordo de Paris sejam alcançados, o mundo ainda está em vias de aquecer mais de 3° C neste século.


Doenças não transmissíveis
As doenças não transmissíveis, como diabetes, câncer e doenças cardíacas, são coletivamente responsáveis por mais de 70% de todas as mortes no mundo, ou 41 milhões de pessoas. Isso inclui 15 milhões de pessoas que morrem prematuramente, com idades entre 30 e 69 anos.


Mais de 85% dessas mortes prematuras ocorrem em países de baixa e média rendas. O aumento dessas doenças tem sido impulsionado por cinco fatores de risco principais: uso do tabaco, inatividade física, uso nocivo do álcool, dietas pouco saudáveis e poluição do ar. Esses fatores de risco também exacerbam os problemas de saúde mental, que podem se originar desde cedo: metade de todas as doenças mentais começa aos 14 anos, mas a maioria dos casos não é detectada ou tratada — o suicídio é a segunda causa de morte entre os 15-19 anos.
Entre muitas coisas, este ano a OMS trabalhará com governos para ajudá-los a atingir a meta global de reduzir a inatividade física em 15% até 2030 — por meio de ações como implementar o kit de ferramentas de políticas ACTIVEpara ajudar mais pessoas a se tornarem ativas todos os dias.


Pandemia global de Gripe
O mundo enfrentará outra pandemia de gripe — a única coisa que não sabemos é quando será atingida e quão severa será. As defesas globais são tão eficazes quanto o elo mais fraco do sistema de prontidão e resposta a emergências de saúde de qualquer país.
A OMS está constantemente monitorando a circulação dos vírus da gripe para detectar potenciais cepas pandêmicas: 153 instituições em 114 países estão envolvidas na vigilância e resposta global.


Todos os anos, a OMS recomenda quais cepas devem ser incluídas na vacina contra gripe para proteger as pessoas da gripe sazonal. No caso em que uma nova cepa da gripe desenvolva um potencial pandêmico, a OMS estabeleceu uma parceria única com todos os principais participantes para garantir acesso efetivo e equitativo a diagnósticos, vacinas e antivirais (tratamentos), especialmente em países em desenvolvimento.
Ambientes frágeis e vulneráveis
Mais de 1,6 bilhão de pessoas (22% da população mundial) vivem em locais onde crises prolongadas (por meio de uma combinação de desafios como seca, fome, conflitos e deslocamento da população) e serviços de saúde frágeis os deixam sem acesso aos cuidados básicos.
Existem ambientes frágeis em quase todas as regiões do mundo, e é onde estão metade dos objetivos de desenvolvimento sustentável, incluindo saúde materna e infantil, que permanecem não atendidos.
A OMS continuará trabalhando nesses países para fortalecer os sistemas de saúde, de modo que eles estejam mais bem preparados para detectar e responder aos surtos, bem como para fornecer serviços de saúde de alta qualidade, incluindo a imunização.


Resistência antimicrobiana
O desenvolvimento de antibióticos, antivirais e antimaláricos são alguns dos maiores sucessos da medicina moderna. Mas já é tempo de ampliar essas descobertas. A resistência antimicrobiana — capacidade de bactérias, parasitas, vírus e fungos resistirem aos medicamentos disponíveis até o momento — ameaça nos mandar de volta a uma época em que não conseguíamos tratar facilmente infecções como pneumonia, tuberculose, gonorreia e salmonelose. A incapacidade de prevenir infecções pode comprometer gravemente cirurgias e procedimentos como a quimioterapia.


A resistência às drogas contra a tuberculose é um grande obstáculo ao combate a uma doença que deixa doentes cerca de 10 milhões de pessoas e causa a morte de 1,6 milhão todos os anos. Em 2017, cerca de 600 mil casos de tuberculoseforam resistentes à rifampicina — a droga de primeira linha mais eficaz — e 82% dessas pessoas apresentavam tuberculose multirresistente.


A resistência aos medicamentos é impulsionada pelo uso excessivo de antimicrobianos nas pessoas, mas também em animais, especialmente aqueles usados na produção de alimentos, bem como no meio ambiente. A OMS está trabalhando com esses setores para implementar um plano de ação global para combater a resistência antimicrobiana aumentando a conscientização e o conhecimento, reduzindo a infecção e incentivando o uso prudente de antimicrobianos.


Ebola e outros patógenos de alta ameaça
Em 2018, a República Democrática do Congo viveu dois surtos de Ebola separados, os quais se espalharam para cidades de mais de 1 milhão de pessoas. Uma das províncias afetadas também está em uma zona de conflito ativa.
Isso mostra que o contexto em que uma epidemia de um agente patogênico de alta ameaça como o Ebola entra em erupção é fundamental — o que aconteceu em surtos rurais no passado nem sempre se aplica a áreas urbanas densamente povoadas ou áreas afetadas por conflitos.


Em uma conferência sobre Preparação para Emergências de Saúde Pública, realizada em dezembro passado, os participantes dos setores de saúde pública, saúde animal, transporte e turismo concentraram-se nos desafios crescentes de combater surtos e emergências de saúde em áreas urbanas. Eles pediram que a OMS e seus parceiros designassem 2019 como um "Ano de ação sobre a preparação para emergências de saúde".
O plano WHO’s R&D Blueprint, da OMS, identifica doenças e patógenos que têm potencial para causar uma emergência de saúde pública, mas carecem de tratamentos e vacinas eficazes. Esta lista para pesquisa e desenvolvimento prioritários inclui Ebola, várias outras febres hemorrágicas, Zika, Nipah, coronavírus da síndromerespiratória do Oriente Médio (MERS-CoV), Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS) e doença X, que representa a necessidade de se preparar para um desconhecido patógeno que poderia causar uma epidemia grave.


Cuidados primários de saúde fracos
A atenção primária à saúde é geralmente o primeiro ponto de contato que as pessoas têm com o sistema de saúde e, idealmente, deve fornecer cuidados abrangentes, acessíveis e baseados na comunidade ao longo da vida.
Os cuidados de saúde primários podem satisfazer a maioria das necessidades de saúde de uma pessoa ao longo da sua vida. Sistemas de saúde com cuidados de saúde primários fortes são necessários para alcançar a cobertura universal de saúde.
No entanto, muitos países não possuem instalações de atenção primária à saúde adequadas. Essa negligência pode ser uma falta de recursos em países de baixa ou média renda, mas possivelmente também um foco nas últimas décadas em programas de doenças únicas. Em outubro de 2018, a OMS co-organizou uma importante conferência global em Astana, Cazaquistão, na qual todos os países se comprometeram a renovar o compromisso com a atenção primária à saúde, feito na declaração de Alma-Ata em 1978.
Em 2019, a OMS trabalhará com parceiros para revitalizar e fortalecer a atenção primária à saúde nos países e acompanhar os compromissos específicos assumidos na Declaração de Astana.


O medo da vacinação
A hesitação, relutância ou recusa em vacinar, apesar da disponibilidade de vacinas, ameaça reverter o progresso feito no combate a doenças evitáveis por vacinação. A vacinação é uma das formas mais econômicas de se evitar doenças — atualmente, previne-se 2 a 3 milhões de mortes por ano e outros 1,5 milhões poderiam ser evitados se a cobertura global de vacinação melhorasse.


O sarampo, por exemplo, registrou um aumento de 30% nos casos em todo o mundo. As razões para esse aumento são complexas e nem todos esses casos se devem à hesitação vacinal. No entanto, alguns países que estavam perto de eliminar a doença tiveram um ressurgimento dessa patologia.


As razões pelas quais as pessoas escolhem não vacinar são complexas; um grupo consultivo de vacinas da OMS identificou complacência, inconveniência no acesso a vacinas e falta de confiança como as principais razões subjacentes à hesitação. Os profissionais de saúde, especialmente os das comunidades, continuam sendo os conselheiros e influenciadores mais confiáveis das tomadas de decisões sobre vacinação e devem ser apoiados para fornecer informações confiáveis sobre as vacinas.


Em 2019, a OMS aumentará o trabalho para eliminar o câncer do colo do útero em todo o mundo, aumentando a cobertura da vacina contra o HPV, entre outras intervenções. 2019 também pode ser o ano em que a transmissão do poliovírus selvagem será interrompida no Afeganistão e no Paquistão. No ano passado, menos de 30 casos foram registrados nos dois países. A OMS e seus parceiros estão empenhados em apoiar estes países na vacinação de todas as crianças para erradicar definitivamente esta doença incapacitante.


Dengue
A dengue, uma doença transmitida por mosquitos que causa sintomas semelhantes aos da gripe e pode ser letal, matando até 20% das pessoas com dengue grave, é uma ameaça crescente há décadas.
Um grande número de casos ocorre nas estações chuvosas de países como Bangladesh e Índia. Agora, sua temporada nesses países está se estendendo significativamente (em 2018, Bangladesh registrou o maior número de mortes em quase duas décadas) e a doença está se espalhando para países menos tropicais e mais temperados como o Nepal, que tradicionalmente não via a doença.
Estima-se que 40% do mundo está em risco de dengue e existem cerca de 390 milhões de infecções por ano. A estratégia da OMS de controle da dengue visa reduzir as mortes em 50% até 2020.


HIV
O progresso feito contra o HIV tem sido enorme em termos de as pessoas fazerem a sorologia, fornecendo-lhes antirretrovirais (22 milhões estão em tratamento) e fornecendo acesso a medidas preventivas, como profilaxia pré-exposição (PrEP, que é quando pessoas em risco de HIV tomam antirretrovirais para prevenir a infecção).


No entanto, a epidemia continua a se alastrar, com quase um milhão de pessoas a cada ano morrendo de HIV/AIDS. Desde o início da epidemia, mais de 70 milhões de pessoas adquiriram a infecção e cerca de 35 milhões de pessoas morreram. Hoje, cerca de 37 milhões de pessoas no mundo vivem com o HIV. Alcançar pessoas como profissionais do sexo, pessoas na prisão, homens que fazem sexo com homens ou transexuais é extremamente desafiador. Frequentemente, esses grupos são excluídos dos serviços de saúde. Um grupo cada vez mais afetado pelo HIV são jovens e mulheres (com idades entre os 15 e os 24 anos), que estão particularmente em alto risco e representam 1 em cada 4 infecções pelo HIV na África Subsaariana, apesar de serem apenas 10% da população.


Este ano, a OMS trabalhará com os países para apoiar a introdução do auto teste, para que mais pessoas que vivem com o HIV conheçam seu estado e possam receber tratamento (ou medidas preventivas no caso de um resultado negativo). Uma atividade será atuar em novas orientações anunciadas em dezembro de 2018 pela OMS e pela International Labour Organization para apoiar empresas e organizações a oferecer auto testes de HIV no local de trabalho.
 
Fonte: World Health Organization (WHO), 2019
 

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